Robert Haas, committer do PostgreSQL, explica que o Postgres 19 deve sair só em novembro: entre abril e setembro foram 1.443 commits no master e 1.169 no branch estável, contra 1.037 e 724 em 2025, puxados por bugs encontrados com LLMs. Revisar essas correções consumiu o tempo que iria para a release, e SQL/PGQ, FOR PORTION OF e MERGE/SPLIT PARTITION foram revertidos. O recado vale para qualquer projeto open source: o volume de bugs reportados vai subir, e a capacidade de revisão humana virou o gargalo.
NEWS DROP
02 de novembro de 2026
7 itens
Segunda-feira, 2 de novembro.
O item mais importante de hoje não tem CVE nem modelo novo. É o Robert Haas, committer do PostgreSQL, explicando por que o Postgres 19 vai sair em novembro e não entre setembro e outubro, como de costume. Entre o feature freeze de 8 de abril e 25 de setembro, o projeto fez 1.443 commits no master e 1.169 no branch estável do 19. No mesmo período de 2025 tinham sido 1.037 e 724. Os commits em branches antigos subiram mais de 60%. Ele aponta a causa: muita gente agora encontra bug com LLM e manda relatório, e cada correção, mesmo rascunhada por modelo, precisa de revisão humana. O tempo de revisão foi para back-patch de segurança e não para a release. Três features grandes, incluindo SQL/PGQ e FOR PORTION OF, foram revertidas no caminho.
O atraso de um mês não preocupa. O que preocupa é o resto da frase dele: são quarenta anos de bugs que agora alguém consegue achar barato. Se isso acontece com o Postgres, que tem um dos processos de revisão mais rigorosos do open source, vai acontecer com a sua dependência favorita, só que com menos gente para revisar. Mantenedor vai precisar de triagem, e quem consome vai precisar de patch mais rápido.
O segundo item é o Gemini 4 Carbon, que o Google lançou duas semanas depois do Argon e que assumiu o primeiro lugar no Intelligence Index v5 da Artificial Analysis, com 59 pontos contra 58 do Claude Opus 5.5 e 57 do GPT-6 Astra. O preço introdutório é o mesmo do Argon: 2 dólares por milhão de tokens de entrada e 10 de saída. O detalhe que importa: quase ninguém pode usar. O acesso começa por um grupo de defensores de segurança no programa Fairwind, e o Google não deu data para desenvolvedores. Não é à toa, porque o Carbon foi de 42% para 54,8% no ExploitGym. Ele também perde para o Opus e para o Astra no FrontierSWE 2 e teve a taxa de alucinação subindo de 4% para 11%. Primeiro lugar em ranking agregado não é primeiro lugar no seu caso de uso.
O terceiro é para quem roda LXD ou MicroCloud: a CVE-2026-112816 tem CVSS 10. O listener HTTPS validava todos os certificados da cadeia contra o trust store, mas só o certificado folha prova que o cliente tem a chave privada. Basta colocar o certificado público de um cliente confiável como intermediário para se autenticar como ele, com acesso total ao cluster e às VMs. No MicroCloud, dá para interceptar o certificado de um membro entrando no cluster. Não há workaround: é `snap refresh lxd` e `snap refresh microcloud` agora.
No frontend, o Nolan Lawson pôs o Opus 5.5 para construir o mesmo app em doze stacks e mediu custo, tokens e Lighthouse. Hono com htmx saiu por 2,67 dólares por build e Angular por 4,97, e o SvelteKit encareceu porque o agente lia o guia de migração do SvelteKit 3 toda vez. No blog do Terence Tao, o matemático Frank Calegari escreve que a matemática mudou depois que a OpenAI soltou mais de 700 artigos de pesquisa de uma vez, e propõe avaliar todo trabalho como se fosse assistido por IA.
Do Akita On Rails, um launcher em Rust com DLL de hooks que leva o Colin McRae Rally de 1998 a 4K, widescreen e 60 fps sem mexer na física de 25 Hz. E do Olhar Digital, o Sam Altman dizendo que é péssimo a DRAM do mundo ficar parada no seu PC, justo quando o argumento a favor de modelo local é depender menos da nuvem dele.
Sete itens. Boa segunda.
O Google lançou o Gemini 4 Carbon duas semanas depois do Argon, com 59 pontos no Intelligence Index v5, à frente do Claude Opus 5.5 (58) e do GPT-6 Astra (57), e preço introdutório de US$ 2/US$ 10 por milhão de tokens. O acesso começa apenas por um grupo de defensores no programa Fairwind, sem data para desenvolvedores, e o modelo subiu de 42% para 54,8% no ExploitGym. Ainda fica atrás do Opus e do Astra no FrontierSWE 2, e a taxa de alucinação no AA-Omniscience subiu de 4% para 11%.
O listener HTTPS do LXD comparava todos os certificados da cadeia com o trust store, e não só o folha, então bastava incluir o certificado público de um cliente confiável como intermediário para assumir a identidade dele, com acesso total ao cluster e às VMs. As correções saíram em 29 de outubro: LXD 4.0.15, 5.0.11, 5.21.9 e 6.10.1, e MicroCloud 2.1.5 e 3.4.1. Não existe workaround, só atualizar com `snap refresh`, e a Canonical avisa que o rollout para o canal stable é progressivo.
Nolan Lawson pediu ao Opus 5.5 o mesmo app em doze stacks, cinco vezes cada, e mediu custo, tokens, código gerado e Lighthouse. Hono com htmx custou US$ 2,67 por build, Next.js US$ 3,14 e Angular US$ 4,97, e o SvelteKit encareceu porque o agente relia o guia de migração da versão 3, nova demais para o treino do modelo. Todos tiraram nota máxima em acessibilidade, e o autor desconfia que os MCPs e skills oficiais dos frameworks estão atrapalhando mais do que ajudando.
Em post convidado, Frank Calegari (Universidade de Chicago) trata como divisor de águas a publicação de mais de 700 artigos de pesquisa pela OpenAI em 6 de outubro, que ele considera mal escritos, com atribuição problemática e alguns errados. Ele propõe avaliar todo trabalho como se fosse assistido por IA, contratar com base em entrevista, exigir mais das revistas, de preferência com provas verificadas em Lean, e dar crédito a quem escolhe o problema certo e entende a prova. É um retrato de como áreas inteiras vão ter que redefinir o que conta como contribuição.
Depois de uma recompilação de cerca de 250 mil linhas de Rust que não convergia, o Akita mudou de estratégia: um launcher em Rust aplica patches em memória no `Rally.exe` original, validados por hash, e uma DLL de hooks cuida de resolução e HUD. Resultado: até 4K, widescreen Hor+, draw distance até 3x, controle moderno e 60 fps com a física mantida no tick fixo de 25 Hz, rodando via Wine/Proton. Num update, a recompilação separada chegou a 'quase jogável', com as 52 etapas e renderer em wgpu, mas a dirigibilidade ainda está errada.
No podcast Cheeky Pint, Sam Altman disse que é 'realmente péssimo' que parte da oferta mundial de DRAM fique parada em computadores pessoais usados 5% do tempo, e rejeitou a ideia de que rodar modelos abertos localmente reduz a necessidade de data centers. A fala vem com Samsung e SK Hynix comprometendo boa parte da produção com contratos de nuvem e projetos como o Stargate, o que encarece notebooks e celulares. Para quem aposta em IA local para depender menos de provedor, é o argumento contrário vindo de quem vende a nuvem.
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